Excursão Cusco 5 dias: Machu Picchu + Vinicunca
O Despertar no Umbigo do Mundo
Aterrar em Cusco não é apenas chegar a um destino, mas sim sentir como o ar se torna mais rarefeito e a história mais densa. A nossa aventura de cinco dias e quatro noites em Cusco começou com a vertigem e o espanto que só os 3400 metros de altitude podem provocar.
Os guias tradicionais recomendam dormir imediatamente, mas decidimos caminhar ao ritmo dos habitantes locais. A cidade imperial não se esconde. As suas paredes de pedra inca, que servem de base a mansões coloniais, contam a sua história. Na primeira tarde, perdemos-nos pelo bairro de San Blas, onde os artesãos esculpem a madeira como se o tempo tivesse parado. Terminámos com um chá de coca em frente à imponente catedral na Plaza de Armas, sob um céu azul quase irreal.
Dia 2: O sussurro do rio Urubamba e o Vale Sagrado
No segundo dia, deixamos para trás a agitação da cidade para visitar o Vale Sagrado dos Incas. Conhecido como o "celeiro do império", é também um corredor de ventos antigos.
Visitamos Pisac. Além do seu famoso mercado de artesanato, o que mais impressiona são os seus terraços agrícolas, que sobem a montanha como se fossem escadas para o céu. A engenharia inca não luta contra a natureza, mas sim com ela.
A seguir, fomos até Ollantaytambo, seguindo o rio Vilcanota. Conhecida por "a cidade inca viva", as suas ruas de pedra não mudaram há séculos. A parte mais difícil da viagem foi a subida até à fortaleza. O vento soprava forte no topo, mas a vista sobre o vale entre as montanhas nevadas compensou o esforço. Apanhámos o comboio para Águas Calientes e adormecemos ao som dos carris.
Dia 3: O Encontro com a Cidadela Perdida
Há momentos que as fotografias não conseguem capturar, como o nascer do sol em Machu Picchu. Acordámos antes do sol nascer. A viagem de autocarro pela estrada Hiram Bingham foi nebulosa e repleta de vegetação tropical.
Ao passarmos pelo controlo e avançarmos em direção à Casa do Guardião, a neblina dissipou-se. Lá estava a cidadela inca, perfeita e silenciosa. Visitar os seus templos, o Intihuatana e a Rocha Sagrada, foi como aprender história e sentir a energia do local. Não é necessário ser especialista para sentir a energia do local; a precisão das pedras sem argamassa mostra que os incas entendiam de geologia melhor do que nós. Machu Picchu não desilude; transforma-se.
Voltámos para Cusco em silêncio. O comboio de regresso estava cheio de pessoas que ainda falavam sobre o que tinham acabado de ver.
Dia 4: O Desafio de Vinicunca, a Montanha das 7 Cores
Enquanto Machu Picchu é a joia histórica, a Montanha das 7 Cores é o milagre geológico. No quarto dia, parti de madrugada em direção ao sul de Cusco. A paisagem mudou completamente: do verde da selva ao ichu dourado da puna, passando pelos rebanhos de alpacas e vicunhas selvagens.
Chegar aos 5.200 metros de altitude não é fácil. O ar é rarefeito e o coração bate forte, mas o caminho oferece vistas deslumbrantes. À medida que subíamos, a terra ia ganhando cores como vermelhos, ocres, turquesas e lavandas, devido aos minerais que continha há milhões de anos.
Chegar ao cimo de Vinicunca é uma conquista pessoal. O solo multicolorido e a montanha nevada ao fundo criam uma imagem de 360 graus que parece de outro planeta. É um local muito frio, mas bonito. Esta é a última prova de resistência do itinerário.
Dia 5: A despedida e a promessa de retornar
O último dia em Cusco foi agridoce. Visitámos o mercado de San Pedro com as pernas cansadas e a alma cheia. O cheiro do pão acabado de sair do forno, dos queijos andinos e das frutas locais fez-nos perceber que cinco dias são suficientes para nos apaixonarmos, mas não para conhecermos tudo.
Esta viagem de cinco dias não foi apenas turismo, mas uma imersão numa cultura que resiste ao desaparecimento. Cusco oferece o equilíbrio perfeito entre história e aventura, desde a sofisticação arquitetónica de Machu Picchu até à crueza natural da Montanha das Sete Cores.
Ao subir ao avião e ver a cidade de telhados vermelhos ficar pequena pela janela, soube que sempre regressaria aos Andes.
Dicas importantes para este itinerário:
- Aclimatação: Não subestime a altitude. Beba muita água e consuma refeições leves no primeiro dia.
- Bagagem: O clima é imprevisível. Leve roupas em camadas (térmicas para Vinicunca, leves para Machu Picchu) e uma boa capa de chuva.
- Reservas: Os ingressos para Machu Picchu esgotam com meses de antecedência. Planeje sua viagem com antecedência.

